A maternidade e suas penalidades
- jhammysil23
- 6 de ago. de 2022
- 2 min de leitura

Quando falamos sobre maternidade, ainda percebemos aquela ideia romântica propagada socialmente para a maioria se não todas as mulheres. Ideia essa que seduz e oprime, engrandece e diminui. E quando falo isso, é porque ainda hoje a mulher é cobrada a engravidar, a gerar. A mulher que ousa pensar fora da caixa, e dizer que não quer ser mãe, ainda é julgada e considerada menos inferior e até "menos mulher".
No entanto, a mesma sociedade que romantiza a gestação, que oprime a mulher que não tem a maternidade como objetivo de vida e meta a seguir, é a mesma que exclui mulheres que se tornaram mães, é a mesma que deixa-as a mercê do acaso. Mulheres que veem suas carreiras profissionais arruinarem, que se veem excluídas do mercado de trabalho. Não é novidade nenhuma que varias mulheres não permanecem em seus empregos assim que retornam da licença maternidade.
São mandadas embora como se fossem fardos, e como se estivessem sendo punidas e pagando o preço por terem gestado. A grande maioria das empresas durante o processo de entrevista para contratação, perguntam se a pessoa tem filhos. No entanto, ter filhos só é critério para contratar, se essa pessoa for um homem. Com as mulheres o critério é outro, o fato desta ter filhos, já é suficiente para a não contratação da mesma, mesmo que seu curriculum profissional seja impecável. Qual mãe nunca ouviu numa entrevista a pergunta: TEM FILHOS? COM QUEM VAI DEIXAR A CRIANÇA SE FOR CONTRATADA? Pasmem, essa pergunta não é feita ao sexo oposto, porque a mulher ainda leva socialmente a responsabilidade de cuidar da prole.
Apesar de tantas discursões a cerca desta temática, de leis e direitos que asseguram essas mulheres, a prática dessas leis ainda andam a passos de lesmas. A exclusão social de uma mulher, mãe, do mercado de trabalho não afeta apenas sua vida financeira, afeta também seu psicológico, seu emocional e sua autoestima. O sentimento de culpa, vergonha, insuficiência e inutilidade são os mais notáveis quando conversamos com mulheres/mães.
Para desconstruir esse padrão de comportamento dos recrutadores de empresas, é necessário quebrar as barreiras do machismo, e as barreiras culturais de acreditar que a mãe é a única responsável pela criação dos filhos. A mulher que queira ser mãe, não deveria se privar de gestar, nem deveria negar a prole para poder garantir uma vaga no mercado de trabalho( punição social). A estrada para a mudança é longa, porém caminhar por ela ainda é necessário.
Jamile Santos
Psicóloga CRP: 03/26291



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